sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A vingança dos zumbis.




Mesmo sem ser simpática nem carismática, sem ter o dom da palavra e da comunicação, e com o País crescendo apenas 1% ao ano, a presidente Dilma Rousseff obteve índices espetaculares de confiança e aprovação pessoal na pesquisa do Ibope. 

Mas como os pesquisados de todo o Brasil se informaram sobre o dia a dia de Dilma e do País, sobre suas ideias, ações e resultados? 

Ora, pela "mídia golpista", que divulgou nacionalmente os fatos, versões e opiniões que a população avaliou para julgar Dilma. 

Os mesmos veículos informaram os 83% que tiveram opinião favorável a Lula no fim do seu governo, já que a influência da mídia estatizada e dos "blogs progressistas" no universo pesquisado é mínima. 

Claro, a maciça propaganda do governo também ajuda muito, mas só se potencializa quando é veiculada nas maiores redes de televisão e rádio, nos jornais, revistas e sites de maior audiência e credibilidade no País - que no seu conjunto formam o que eles chamam de "mídia golpista". 

Mas que golpismo de araque é esse que tanto contribui para divulgar os feitos, as qualidades e a força popular do objeto de seu suposto golpe? 

Por que a mesma mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma e não quando denuncia os escândalos do governo e o julgamento do mensalão? 

A conta não fecha, mas eles insistem. 

Zé Dirceu e Rui Falcão já avisaram que a vingança dos zumbis do mensalão e do "Rosegate" vai ser a regulamentação da mídia, como na Argentina e na Venezuela, culpando o mensageiro pela mensagem. 

No Brasil democrático todo mundo tem voz, fala o que quer, ouve quem quiser. 

Mas eles querem "pluralizar" a mídia, denunciando monopólios e ignorando a concorrência acirrada em todos os segmentos do mercado multibilionário da comunicação de massa, em que ganham mais os que têm mais credibilidade e popularidade. 

Mas o Brasil não é a Argentina e Dilma não é Cristina. Além da cobertura nacional que tanto contribui para sua boa exposição e avaliação pública, ela deveria agradecer à mídia por revelar os malfeitos que lhe permitiram fazer uma faxina no seu quintal. 
*Nelson Motta, no Estadão

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